A Samsung optou por um hardware conservador no Galaxy Ring, deixando brechas que a startup francesa Circular acaba de ocupar. Na IFA 2026, a empresa anunciou a linha Ring 3 (nas versões Slim e Pro), resolvendo os dois maiores atritos de usabilidade que frustraram o mercado no anel sul-coreano: pagamentos por aproximação (NFC) e motores de vibração tátil integrados.

A integração de um chip NFC em um chassi de 5,9mm escancara a hesitação das gigantes da tecnologia em canibalizar as vendas de seus próprios smartwatches. O anel francês entrega o que a indústria prometia há anos: a eliminação da necessidade de sacar o celular do bolso para transações rápidas. Paralelamente, o motor háptico traz um sistema prático de notificações silenciosas e alertas físicos, recursos até então ausentes na concorrência direta.

Em biometria, o Ring 3 Pro sobe a régua. O hardware inclui eletrocardiograma (ECG) nativo e novos algoritmos que prometem estimar pressão arterial e tendências de glicemia. A bateria projeta 12 dias de autonomia no modelo Pro e 10 dias no modelo Slim — que sacrifica o ECG para manter a espessura fina. A construção de ambas as versões mistura titânio e aço inoxidável com resistência à água de 5 ATM.

Com lançamento previsto para o início de 2027, os preços oficiais seguem sob embargo. No entanto, considerando que o modelo antecessor (Ring 2) foi lançado a US$ 349, analistas projetam a versão Pro flertando com a faixa dos US$ 400. O recado para investidores físicos e institucionais é cristalino: se a execução do software for tão implacável quanto a engenharia do hardware, a tentativa de monopólio da Samsung no segmento acaba de esbarrar em um obstáculo duro de roer.